Mestrado Profissional amplia possibilidades de atuação para egressos

 

O professor universitário Maykon Dias Cezario defendeu a sua dissertação no Mestrado Profissional em Defesa Sanitária Vegetal (MPDSV), no dia 14 de fevereiro e agora, celebra as novas possibilidades e os dois anos dedicados à obtenção do título na UFV: “O MPDSV com certeza foi uma das grandes oportunidades da minha vida. A possibilidade de cursar um mestrado de alto nível conciliando com as atividades profissionais foi o que pontuou mais. Além disso, contar com um corpo docente de muito gabarito e estudar na UFV contribuíram também em minha decisão”.

Natural da cidade de Timóteo (MG), localizada no Vale do Aço, “região industrial que se destaca na produção de aço”, Maykon se formou em Agronomia na Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). “Tive uma origem simples, mas sou oriundo de uma família que sempre valorizou a educação”. Desde a graduação, a dedicação aos estudos faz parte do dia a dia do agrônomo. “Atuei com pesquisa nas áreas de fitotecnia, entomologia e fitopatologia, sempre conectado com a defesa sanitária vegetal, que sempre foi a área de meu maior interesse na agronomia. Estagiar em empresas de pesquisa agropecuária, como a EPAMIG, e marcar presença em eventos científicos faziam parte da minha rotina. Foram cinco anos de muita dedicação, que culminaram no prêmio de melhor aluno do curso, na cerimônia de colação de grau” – relembra com orgulho.

Concluído o curso superior em 2009, a sua primeira experiência profissional ocorreu no estado de Mato Grosso do Sul, onde ele trabalhou com grandes culturas em uma multinacional focada na produção de etanol e bioenergia. “No centro-oeste brasileiro conheci, exercitei e enfrentei os desafios da produção agrícola. Considero-me privilegiado em ter iniciado a carreira em uma região das mais desenvolvidas e tecnológicas do Brasil no que diz respeito à agricultura”.

Ao retornar ao seu estado de origem, Maykon descobriu uma nova área de atuação: “Quanto retornei a Minas Gerais, comecei a atuar na área educacional como professor universitário na rede privada, e me apaixonei pela academia. Já com experiência, fui fazendo carreira na área educacional e atualmente, coordeno dois cursos de graduação na Univale: Agronomia e Agronegócio. Represento ainda a região Vale do Rio Doce no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA), atuando como conselheiro da Câmara especializada da Agronomia e também no Conselho de Educação do CREA-MG”.

Mestrado Profissional

Experiente no comando da sala de aulas, em março de 2018, foi a vez de o professor assumir também a condição de aluno, ao ingressar no Mestrado Profissional em Defesa Sanitária Vegetal da UFV. Foram dois anos de dedicação que se encerraram no mês de fevereiro, período cujo maior desafio, segundo Maykon, foi “conciliar os estudos com as atividades profissionais em um mercado privado, que nos exige continuamente muita dedicação e entrega”.

Sob a orientação da pesquisadora Madelaine Venzon, Maykon pesquisou sobre controle biológico conservativo em café Conilon. “A busca de alternativas ao controle químico exclusivo para o manejo de pragas é primordial, e uma dessas possibilidades se trata da manipulação do ambiente visando ao controle biológico conservativo. No trabalho desenvolvido em minha dissertação, avaliou-se a eficiência da diversificação da vegetação através da introdução do ingá no controle biológico das principais pragas do café Conilon, sendo elas: bicho-mineiro, cochonilha-da-roseta, broca-do-café e ferrugem. O trabalho foi conduzido em lavoura comercial em Itueta (MG)” – descreve.

Concluído o mestrado profissional, Maykon já identifica benefícios que essa recente conquista lhe proporcionou: “Fazer o MPDSV sem dúvida já me beneficiou pelo universo de possibilidades que encontrei. A possibilidade de continuar trabalhando com pesquisas envolvendo café Conilon e beneficiando os produtores regionais; a possibilidade de dar sequência aos estudos com o doutorado; e atuar na área de defesa sanitária vegetal com maior propriedade, são os principais benefícios”.

Pesquisa desenvolvida no Mestrado Profissional resulta em depósito de patente no INPI

A pesquisa desenvolvida pela mestre em Defesa Sanitária Vegetal, Ana Paula Soares da Rocha, durante o Mestrado Profissional na UFV, resultou no depósito da patente “Composições ectoparasiticidas à base de Lithraea brasiliensis e uso”, no INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial). Ana Paula defendeu a sua dissertação sobre avaliação do potencial carrapaticida de plantas neotropicais em julho de 2019, e no início deste ano, realizou o depósito da patente buscando desenvolver uma formulação comercial a base de Lithraea brasiliensis para controle de carrapatos de forma mais eficiente e mais segura. “A pesquisa realizada durante o mestrado nos mostrou que o extrato dessa planta é muito eficiente no controle de carrapatos resistentes aos carrapaticidas disponíveis no mercado”.

Ana Paula explica: “Agora, as nossas pesquisas focarão em verificar se a molécula que apresentou atividade é segura do ponto de vista ambiental, com estudos de impacto em organismos não-alvo como insetos benéficos, predadores, polinizadores e organismos aquáticos. Também analisaremos a segurança alimentar dessa molécula, pelo fato de que este produto será usado principalmente nos rebanhos bovinos, temos que assegurar que após o uso, não haverá resíduos na carne e no leite”.

A pesquisadora destaca que “na produção agropecuária, a busca por ferramentas mais seguras e eficientes é constante. A cada dia cresce a demanda por alimento, e sabemos que essa produção deve atender a sociedade não só em quantidade, mas também em qualidade e de forma sustentável. Os extratos botânicos têm se mostrado promissores porque muitas plantas são ricas em substâncias bioativas, que são biodegradáveis e apresentam baixa ou nenhuma toxicidade a mamíferos e outros organismos não-alvo. Assim, nosso estudo pode levar ao desenvolvimento de um novo produto para controle de carrapatos de forma mais eficiente e mais segura”.

Além disso, a pesquisadora enfatiza o fato de sua pesquisa está buscando desenvolver um produto originado de uma planta do Cerrado brasileiro. “Temos o privilégio de ter em nosso país, em seus diferentes biomas, uma flora rica em biodiversidade, não encontrada em nenhuma outra parte do mundo. Logo, o número de moléculas existentes que ainda não foram pesquisadas é muito grande. O incentivo e apoio às pesquisas relacionadas à nossa biodiversidade devem ser contínuos, pois os compostos químicos presentes na nossa flora, além de serem fontes de novas moléculas para o combate de pragas e doenças na agropecuária, também dão origem a compostos usados em áreas como medicina, farmácia, nutrição, dentre outras. Tudo isso reflete em melhorias na qualidade de vida da sociedade”.

Parceria multidisciplinar

Engenheira Agrônoma, professora de Química no curso de Engenharia Agronômica da Faculdade Cidade de João Pinheiro, na cidade de João Pinheiro (MG), e instrutora de formação profissional rural do Sistema FAEMG/Senar, onde ministra treinamentos de aplicação de defensivos, Ana Paula ingressou no Mestrado Profissional em Defesa Sanitária Vegetal da UFV em agosto de 2017, onde construiu uma profícua parceria com outros pesquisadores.

Na UFV, ela contou com a orientação do professor Eugênio Eduardo de Oliveira, “que de prontidão abraçou a ideia” e a apresentou à pesquisadora Graziela Domingues de Almeida Lima. “Doutora em Biologia Celular e Estrutural e com grande conhecimento em bioquímica e farmacologia, o trabalho da Dra. Graziela foi essencial na condução dos bioensaios em organismos não-alvo e no tratamento e análise de dados; sendo também para mim, um exemplo de positividade e profissionalismo, o que me motivou muito durante todo o processo” – destaca.

Na UFMA (Universidade Federal do Maranhão), Ana Paula contou com a parceria da professora do Centro de Ciência e Tecnologia, Cláudia Quintino da Rocha. “Eu já conhecia o magnífico trabalho realizado pela professora Cláudia. Então, a convidei para ser minha coorientadora, gerando uma parceria entre a UFV e a UFMA. Ela é uma profissional renomada, com vasta experiência na área de Química de Produtos Naturais, atuando principalmente no isolamento, identificação de metabólitos secundários e avaliação farmacológica de extratos e compostos bioativos. Com o suporte de uma profissional com tamanha competência, nossos estudos químicos foram conduzidos de forma muito eficiente, fazendo com que conseguíssemos fazer toda a caracterização química do nosso extrato, além de descobrir qual era a molécula responsável pela bioatividade”.

Além do suporte na parte metodológica, Ana Paula acrescenta que a atuação das duas pesquisadoras, Graziela e Cláudia, “foram imprescindíveis em todo o processo de elaboração e acompanhamento dos tramites do depósito da patente”. Como Ana Paula resume: “este foi um trabalho desenvolvido por dois agrônomos, uma química e uma bióloga; que nos mostrou que a parceria entre profissionais de diferentes áreas gera resultados muito positivos para toda sociedade”.

Além da pesquisa voltada para o uso do extrato da Lithraea brasiliensis na agropecuária, as pesquisadoras pretendem avançar ainda mais nos experimentos: “Estamos testando esse extrato em células cancerosas. Os primeiros resultados já apontaram uma possível atividade em determinados tipos de células, portanto, mais pesquisas serão realizadas a fim de confirmar esses resultados”.

Contato entre profissionais de diferentes áreas de atuação incrementa formação dos estudantes

Durante dois anos, o engenheiro agrônomo da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Tocantins (ADAPEC/TO) Breno Gomes Barbosa viajou do estado do Tocantins para Minas Gerais, para participar dos encontros presenciais do Mestrado Profissional em Defesa Sanitária Vegetal, em Viçosa. Inspetor de defesa agropecuária na ADAPEC/TO, Breno concluiu o curso na UFV em 2016 e destaca que o Mestrado Profissional lhe proporcionou “conhecer pessoas com diferentes formações e atuações, como fiscais, pesquisadores, professores, analistas, entre outros, todos ligados à cadeia agrícola. Durante os encontros presenciais trocamos várias experiências profissionais”.

Para ele, que desenvolve ações voltadas para a prevenção, controle e/ou erradicação de pragas nas culturas de importância econômica e social para o estado de Tocantins, uma das principais contribuições do curso para a sua atuação, foi ampliar o “conhecimento técnico-científico na detecção e identificação de pragas e inimigos naturais, utilizado durante as fiscalizações nas lavouras produtivas”.

Natural de Porto Velho (RO), Breno concluiu o curso de Agronomia em 2010, na Universidade Federal de Rondônia (UNIR). Na UFV, no Mestrado Profissional, o agrônomo defendeu a sua dissertação sobre o ataque de tripes Frankliniella schultzei à cultura da melancia. De acordo com Breno, “a pesquisa foi realizada em lavouras comerciais de melancia. O grupo foi formado por orientados do professor Marcelo Coutinho Picanço (UFV) e orientados do professor Renato de Almeida Sarmento (UFT). Os estudos tiveram como objetivo determinar os fatores que regulam a intensidade de ataque de tripes F. schultzei à cultura da melancia”.

Esses estudos possibilitaram o entendimento da bioecologia desse organismo e podem embasar o planejamento de programas de manejo integrado de pragas. Foram avaliados elementos climáticos, planta hospedeira e inimigos naturais. Observou-se que o ataque de tripes é maior nas épocas secas, em plantas que estejam no início do cultivo e, preferencialmente, nas folhas mais apicais do ramo. Também se verificou que quanto maior o ataque de tripes, maiores são as populações do predador Chrysoperla sp. O inspetor de defesa agropecuária da ADAPEC/TO avalia que “diante dessas informações, os produtores podem fazer um melhor planejamento do manejo das suas lavouras, como: a melhor época para o plantio; utilização de defensivos agrícolas seletivos aos inimigos naturais presentes na sua área; e o direcionamento da aplicação de defensivos para as partes da planta onde estão concentradas as pragas”.

Fiscal agropecuário destaca contribuições do Mestrado Profissional para sua carreira

Quem não deseja obter uma melhoria salarial fruto de uma qualificação profissional? Além do conhecimento adquirido, esse foi um incentivo a mais para o engenheiro agrônomo Rodrigo Eustáquio da Silva cursar o Mestrado Profissional em Defesa Sanitária Vegetal na UFV. Fiscal agropecuário do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), ele  concluiu o Mestrado Profissional em 2017 e afirma que o curso já está contribuindo na resolução de problemas cotidianos: “ Hoje, enxergo o ambiente de trabalho no IMA de forma ampla, fruto do senso crítico adquirido durante o curso. Além do mais, já está prevista uma melhoria salarial pela qualificação, que é sempre positivo”.

Atuando em Belo Horizonte (MG), Rodrigo dá apoio ao gerenciamento de fiscalização de agrotóxicos realizados no estado de Minas Gerais.  Para a sua dissertação, ele escolheu como tema  a “Otimização da Fiscalização do Uso de Agrotóxicos pelo Instituto Mineiro de Agropecuária”. De acordo com o engenheiro agrônomo, “embora Minas Gerais seja a sexta unidade federativa do Brasil em vendas de agrotóxicos, o IMA é o órgão que mais realiza atividades de fiscalização do uso desses insumos nas propriedades rurais do país”.

Rodrigo destaca que houve uma participação ativa de vários servidores do IMA na construção da sua dissertação, “levando-os a refletir de forma crítica o próprio ambiente de trabalho”. Ele avalia que a sua dissertação contribuiu para que o IMA passasse a utilizar “a base de dados do programa SICCA (Sistema de Controle e Comércio de Agrotóxicos e Afins), ferramenta on-line que estava ativa desde 2012 e que era subaproveitada para investigações fiscais. Conseguimos quantificar melhor o consumo de agrotóxico nas propriedades rurais em Minas Gerais, permitindo planejar melhor nossas ações fiscais nesse ambiente. Por fim, desenvolvemos uma ferramenta (fórmula) que auxilia no cálculo amostral do universo a ser fiscalizado de forma representativa”.

Satisfeito com os frutos que vêm colhendo com a conclusão do Mestrado Profissional, o fiscal agropecuário do IMA espera que a UFV também ofereça futuramente o Doutorado Profissional na área de defesa sanitária vegetal, permitindo assim que profissionais como ele possam continuar investindo na sua qualificação. “Ainda na graduação, o mestrado foi deixado de lado ao priorizar a conclusão do curso para entrar no mercado profissional. Através da UFV, pude inserir mais uma qualificação profissional no currículo, pois o curso é dinâmico e flexível, diferente do mestrado acadêmico, que exige dedicação integral”.

Trabalho sobre amostragem de tripes em cultivos de melancia é publicado em revista científica de alto impacto

Diferente de um mestrado acadêmico, cujo foco é a pesquisa, no mestrado profissional o viés é tecnológico. Entretanto, quando o trabalho desenvolvido é de grande relevância, a pesquisa científica também pode ganhar destaque num curso de pós-graduação com viés tecnológico. Foi por isso que o mestre em Defesa Agropecuária Vegetal Cleovan Barbosa Pinto publicou um artigo, fruto da sua dissertação, na Journal of Economic Entomology, revista científica de alto impacto para a área de Ciências Agrárias. Cleovan desenvolveu a sua dissertação sobre amostragem de tripes Frankliniella schultzei em cultivos de melancia. O plano de amostragem determinado no seu trabalho possibilita colocar em prática a avaliação das populações de F. schultzei, importante praga nos cultivos de melancia no Brasil.

Para desenvolver a sua dissertação, Cleovan contou com a participação de pesquisadores da UFV e da Universidade Federal de Tocantins (UFT) – Campus Gurupi. Na UFV, ele contou com a orientação do professor Marcelo Coutinho Picanço. Em Tocantins, o trabalho foi liderado pelo professor Renato Almeida Sarmento e envolveu vários estudantes de graduação, mestrado e doutorado da UFT. O trabalho foi realizado em cultivos comerciais de melancia em Formoso do Araguaia (TO), nos anos de 2014 e 2015.

De acordo com Cleovan, “primeiro foram selecionadas a amostra e a técnica de amostragem. Posteriormente, foi determinado o número de amostras a compor o plano de amostragem. A folha 1 (mais apical do ramo) foi o melhor ponto para amostragem de F. schultzei em plantas de melancia nos estágios: vegetativo, floração e frutificação. A contagem direta dos insetos na folha 1 foi a melhor técnica para amostragem de F. schultzei. O número ideal de amostras para compor o plano de amostragem foi 69 amostras por talhão. Esse plano de amostragem teve duração de 38 minutos e custo de R$ 4,51 por amostragem. Portanto, o plano de amostragem do tripes F. schultzei determinado possibilita a avaliação das populações dessa praga em cultivos de melancia de forma prática, já que ele é simples, rápido e de baixo custo”.

  • Qualificação

 

Graduado nos cursos de Agronomia (2006) e Engenharia de Segurança do Trabalho (2015), Cleovan é inspetor de defesa agropecuária da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Tocantins (Adapec – TO), autarquia responsável por promover a vigilância, normatização, fiscalização, inspeção e a execução das atividades ligadas à defesa animal e vegetal. Lotado na central da Adapec, que fica localizada na capital do estado, Palmas (TO), Cleovan ocupa atualmente o cargo de responsável técnico do Programa Estadual de Grandes Culturas.

O inspetor da Adapec concluiu o Mestrado Profissional em Defesa Agropecuária Vegetal da UFV em 2016 e avalia que o curso lhe proporcionou pleitear cargos que antes ele não se via em condições de exercer. “O Mestrado Profissional em Defesa Sanitária Vegetal me proporcionou muitas coisas boas. A primeira foi o conhecimento que adquiri, passando a ver as coisas sob uma nova ótica, tanto na vida profissional, quanto na vida pessoal. O mestrado profissional também me proporcionou um crescimento dentro do meu serviço, onde atualmente sou responsável pelo Programa Estadual de Grandes Culturas da Adapec, agência onde sou concursado desde 2013”.

Dissertação avalia sucesso do programa de erradicação da praga quarentenária Cydia pomonella no Brasil

Em 2014, o  Ministério da Agricultura reconheceu oficialmente a erradicação da Cydia pomonella no estado de Santa Catarina e declarou o Brasil como livre dessa praga quarentenária. A C. pomonella é uma das principais pragas de importância econômica que atacam plantios de maçã no mundo e teve a sua presença constatada no Brasil nos anos 90, no sul do país. A sua erradicação no Brasil foi um marco, pois o estabelecimento da C. pomonella traria grandes prejuízos ao setor produtivo da maçã. Diante disso, o engenheiro agrônomo Silvio Luiz Rodrigues Testaseca escolheu como tema da sua dissertação no Mestrado Profissional em Defesa Sanitária Vegetal da UFV, o Programa Nacional de Erradicação da Cydia pomonella (PNECP).

Defendida em 2013, sob a orientação do professor da UFV Orlando Monteiro e coorientação de Angela Pimenta Peres e Adalécio Kovaleski, a dissertação “A situação da Cydia pomonella no Cone Sul: avaliação das normas e do programa nacional de erradicação no Brasil” oferece um panorama do desenvolvimento do PNECP. Considerando aspectos ambientais, econômicos e sociais, foi realizada revisão bibliográfica sobre normas que tratam do tema, procedimentos utilizados e entrevistas com atores da cadeia produtiva no Brasil e na Argentina, país com a praga disseminada.  O Brasil possui determinadas exigências para a importação de maçãs, peras e marmelos – hospedeiros da praga – daquele país.

De acordo com o autor do trabalho, “existia a percepção entre os entrevistados de que o sucesso do Programa Nacional de Erradicação foi decorrente do esforço conjunto de diversos setores da cadeia produtiva e instituições envolvidas. Outra conclusão foi a informação de que as capturas da praga no país diminuíam ano a ano. E concluiu-se ainda que o Sistema de Mitigação de Risco implementado na Argentina, após o fechamento das importações da fruta pelo Brasil, foi fundamental para o controle da praga no nosso país”.

Aprendizado dentro e fora da sala de aula

Formado no ano de 1987, em engenharia agronômica pela Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”ESALQ/USP, Silvio atua no Serviço de Inspeção e Sanidade Vegetal (SISV), na Superintendência Federal de Agricultura em Santa Catarina, do MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento). “Dentre as atividades da área de Sanidade Vegetal, realizamos credenciamento e fiscalização de empresas que realizam tratamentos fitossanitários com fins quarentenários; levantamentos e monitoramento de pragas quarentenárias; emissão de pareceres de importação e exportação; e participação em grupos de trabalho relativos a pragas quarentenárias”.

Silvio destaca: “Acredito que o Mestrado colaborou com minha aprovação, em 2017, juntamente outros 34 auditores fiscais federais agropecuários, para compor o Quadro de Acesso para Adidos Agrícolas, da Secretaria de Relações Internacionais do MAPA”. De acordo com informações divulgadas pelo MAPA, “as atribuições de um adido agrícola abrangem a diversidade de assuntos técnicos da agricultura no mundo. Entre suas tarefas mais relevantes estão a busca por melhores condições de acesso a produtos do agronegócio, análises e estudos sobre as políticas agrícolas e legislações de interesse da agricultura brasileira. Outras atividades envolvem a participação brasileira em eventos de interesse do agronegócio, questões sanitárias e fitossanitárias, cooperação na área agrícola, além de políticas ambientais, de combate à fome e de desenvolvimento rural”.

O engenheiro agrônomo avalia que a principal contribuição do Mestrado Profissional para a sua carreira “foi em relação à atualização e aprofundamento de conhecimentos técnicos e em relação a estar mais disciplinado para minha atuação, com mais recursos acadêmicos, já que a minha graduação foi em 1987. Também tem a importância do mestrado no reconhecimento do esforço pelos demais colegas e administração geral do MAPA e seus clientes, uma vez que a formação acadêmica por uma universidade como a UFV permite crescimento profissional relevante”.

Além disso, o auditor fiscal do MAPA, natural do estado de São Paulo, destaca algumas vivências prazerosas oportunizadas pelo curso: “Um dos principais fatos é o da convivência com diversos outros colegas do MAPA, os quais eu não tinha proximidade, e que sempre gera discussões e conhecimentos positivos. O mesmo acontece em relação aos professores, uma vez que, mesmo após o término do curso, sempre que procurei um ou outro mestre, foi produtivo e prazeroso tal contato. Também não poderia deixar de citar o fato de que participar do mestrado na UFV permitiu que eu pudesse conhecer praticamente toda a região das cidades históricas de Minas Gerais, estado pelo qual tinha um grande apreço e que hoje me traz boas lembranças” – finaliza.

Novas ferramentas para melhor eficiência da inspeção fitossanitária é tema de dissertação do mestrado profissional

Considerando o acentuado aumento na movimentação de produtos agrícolas nos portos e aeroportos brasileiros e a necessidade de evitar a entrada de pragas quarentenárias no país, o engenheiro agrônomo Isac Medeiros desenvolveu a dissertação “Novas ferramentas para melhor eficiência da inspeção fitossanitária”. Fiscal agropecuário do Ministério da Agricultura, em Florianópolis (SC), Isac acredita que com a inovação tecnológica é possível melhorar a eficiência, padronizar e fortalecer o sistema de alerta fitossanitário.

O engenheiro agrônomo explica que para a sua dissertação “foi desenvolvida e testada uma mesa de inspeção de sementes e grãos de cereais; montado um banco de dados das imagens de sementes das plantas daninhas descrito na lista das pragas quarentenárias. Também foram realizados testes com a lupa USB, ligada a um computador para uso na inspeção fitossanitária, com o suporte dos programas computacionais AMCAP e Micro-Measure. Projetou-se e fabricou-se a mesa de inspeção e testou-se a eficiência de separação dos grãos e o tempo utilizado para inspeção”.

Isac concluiu o Mestrado Profissional em Defesa Sanitária Vegetal da UFV em 2013. Na dissertação, ele contou com a orientação do professor Antônio Alberto da Silva e coorientação do professor Marcelo Coutinho Picanço. Para o fiscal federal agropecuário, que atualmente trabalha na área de produção de sementes e Biotecnologia de Organismo Geneticamente Modificado (OGM), “o mestrado profissional foi muito importante para rever, ampliar os conceitos científicos e técnicos nas atividades de fiscalização de sementes e mudas e de pesquisa e uso de Biotecnologia OGM, bem como para assegurar mais confiança na ação e estar mais preparado para as mudanças”.

Dissertação propõe nova perspectiva para receituário agronômico

A partir da perspectiva dos fiscais estaduais de defesa sanitária vegetal, o engenheiro agrônomo Luis Carlos Ribeiro, que possui vasta experiência na indústria de defensivos agrícolas, defendeu a dissertação “Receituário Agronômico – Relatos, Análises e Proposições”. O trabalho, orientado pelo professor da UFV Laércio Zambolim, propõe mudanças no sistema do receituário agronômico e defende que o engenheiro agrônomo tenha maior liberdade para exercer suas funções. Luis Carlos já atuou nas áreas de vendas e assistência técnica, desenvolvimento e registro de produtos. Atualmente, ele é gerente de assuntos regulatórios estaduais e municipais do SINDIVEG (Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal) e concluiu o Mestrado Profissional em Defesa Sanitária Vegetal neste ano.

 

Sobre a escolha do tema da sua dissertação, o engenheiro agrônomo destaca que “há uma série de trabalhos desenvolvidos sobre o assunto receituário agronômico, mas nunca tivemos uma visão direta, vinda de quem trabalha no dia-a-dia com o setor comercial e o agricultor, que é o fiscal estadual de defesa vegetal. Como há fiscais distribuídos por todos país, procuramos obter o posicionamento deles através da apresentação de um questionário. Procuramos colocar perguntas que englobassem informações antes da implementação do receituário e depois da implementação, visando comparar e propor adequações”.

Para ele, realizar esse trabalho “foi um desafio sensacional, muito trabalhoso, mas gratificante. Pudemos deixar claro que o sistema do Receituário Agronômico (RA) precisa ser revisto e revigorado. Gostaria de publicar esse trabalho para que o CREA e CONFEA possam se embasar e desenvolver um trabalho com o MAPA, para implementar o mais rapidamente possível as mudanças necessárias. O sistema está totalmente engessado, o engenheiro agrônomo precisa de maior liberdade para exercer suas funções. Não devemos temer que maus profissionais continuem a exercer erradamente o direito ao RA, o CREA está aí para puni-los e moralizar o sistema” – defende.

Difusão do conhecimento

Agrônomo formado pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro em 1985, Luis Carlos ingressou no Mestrado Profissional em 2016. Segundo ele, o tema defesa sanitária vegetal precisa ser mais discutido e difundido. Entusiasta dessa discussão e baseado num levantamento sobre a quantidade de novas pragas que existem na América Latina e que estão prestes a entrar no Brasil, Luis realizou sete eventos nacionais ligados à defesa vegetal, antes de ingressar no curso da UFV. “Fizemos um trabalho publicado em jornal de grande circulação alertando o país sobre o risco de entrada de novas pragas com a ocorrência da Copa do Mundo, Olimpíadas, shows de rock e turismo no Brasil. A matéria rodou o país inteiro e provocou um movimento no governo, aumentando o número de fiscais em portos, aeroportos e estradas. Conseguimos apreender uma série de objetos que poderiam causar a entrada de novos alvos biológicos no país. Com a realização dos sete eventos em 2014, 2015 e 2016, que comportou todas as regiões do país, vimos que no Brasil existem excelentes pesquisadores e professores que dominam o assunto, e devemos levar esse conhecimento para a sociedade. Então, conseguimos lançar o livro ‘Defesa Vegetal – Fundamentos, Ferramentas, Políticas e Perspectivas’, o qual tenho muito orgulho de ter participado da edição e possuir três capítulos no mesmo. Esse tema precisa ser difundido, estudado e compartilhado. Foi quando fiquei sabendo por amigos da intenção da Universidade Federal de Viçosa em promover este curso de mestrado”.

Crescimento constante

Luis Carlos concluiu o curso em 2017 e é assertivo ao destacar a contribuição do Mestrado Profissional em Defesa Sanitária Vegetal da UFV para a sua carreira: “Graças aos conhecimentos adquiridos, hoje represento as indústrias na Comissão Nacional de reavaliação da eficácia agronômica da ferrugem da soja e na Comissão Latino Americana para análise e tomadas de decisões referentes às estratégias que o governo brasileiro possa desenvolver com países vizinhos, visando conhecer os alvos biológicos que lá existem e que ainda não estão por aqui, e vice-versa. A avaliação de risco de pragas é de suma importância. Além de todo conhecimento de medidas preventivas e mitigadoras adquirido, o curso deixou aberto um crescimento constante, através de novos eventos e troca de experiências”.

A experiência no Mestrado Profissional foi tão positiva que Luis Carlos sempre o recomenda. Para ele, uma característica do curso que merece ser ressaltada é a participação de profissionais de todo o país, que trabalham em diferentes setores. “Este país é imenso, e essa mistura de regiões, pensamentos e conhecimentos enriquece todos, inclusive os professores. Essa participação transparente entre o setor governamental, seja federal ou estadual, o setor privado e a universidade, com ética e profissionalismo, só leva ao crescimento de todos”. Ele ainda acrescenta: “Com certeza nunca um curso será igual ao outro que acaba de encerrar, pois é tremendamente dinâmico e motivador. Eu sou um entusiasta e adoro recomendar este curso para quem puder cursar e torço para que cada vez mais, ele se consolide e cresça”.

Agrônomo conclui Mestrado Profissional e aponta natureza semipresencial do curso como diferencial

O engenheiro agrônomo Yuri Jivago Ramos, da CIDASC (Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina), concluiu o Mestrado Profissional em Defesa Sanitária Vegetal da UFV, no mês de março deste ano. Sob a orientação do professor Marcelo Coutinho Picanço, ele defendeu a dissertação “Distribuição espaço-temporal de Anastrepha fraterculus em pomares de maçã”. Gestor regional da CIDASC, na cidade de Lages(SC), Yuri compartilha a sua experiência ao conciliar o lado pessoal, profissional e a logística para se dedicar ao Mestrado Profissional na Universidade Federal de Viçosa.

Natural do frio município de São Joaquim (SC), filho de pai produtor de maçã e criador de gado, a agricultura o acompanha desde a infância. Atualmente residindo na cidade de Lages, Yuri teve que driblar a saudade do filho pequeno, enfrentar muitas horas de voo e viagens de ônibus para chegar ao seu destino: Viçosa (MG), onde concluiu o seu mestrado. Mas o catarinense garante que todo o esforço valeu a pena e que a expectativa alta que tinha ao ingressar no curso em 2015, foi plenamente atendida. “Tenho que agradecer muito à empresa onde eu trabalho, que me liberou o tempo. Para cada encontro presencial eram uns dez dias, sendo cinco dias de encontro na UFV e cerca de dois dias de viagem para ir e dois para voltar. Agora melhorou. Quando comecei o curso, o aeroporto da minha cidade não funcionava. Pegava o avião em Curitiba (PR) ou Florianópolis (SC) para ir até Belo Horizonte(MG) e depois seguir de ônibus para Viçosa. Mas valeu a pena porque eu valorizo muito a questão do ambiente universitário. Você conversa com o pessoal e vê outras linhas de trabalho que estão sendo discutidas. Ferramentas que o pessoal utiliza e que você pode utilizar no teu trabalho. Isso em termos de conteúdo acaba enriquecendo bastante”.

Semipresencial

Yuri ainda destaca o fato de o curso ser semipresencial e proporcionar aos alunos trabalharem um tema dentro do seu campo de atuação profissional: “Acho que tende só a melhorar o ambiente virtual, sem perder a qualidade do ambiente universitário. Se fosse um curso só à distância, tu perderias os detalhes, não conheceria as pessoas. Agora, você fica uma semana na UFV, desenvolve alguns trabalhos e depois retorna. É uma maneira muito proveitosa de otimizar o tempo de quem tem as atividades de trabalho no dia a dia, sem perder a qualidade do material que está sendo produzido. E também tem essa questão do curso ser focado num problema. Assim, você consegue desenvolver uma linha de demanda da instituição onde você trabalha”.

Na sua dissertação, Yuri buscou determinar a distribuição espaço-temporal de A. fraterculos em pomares de maçã. “O meu trabalho foi sobre a distribuição espacial de mosca das frutas na região produtora de maçã. Essa praga é muito importante para essa cultura, pois traz danos reais do ponto de vista econômico e também é uma praga quarentenária. Nós já exportamos mais maçã. Para exportar ainda mais, tem que ter 100% de certeza de que a fruta lá na frente não vai ter larva. Então, a geoestatística, essa ferramenta que a gente está procurando compreender, vai fornecer mais precisão nas tomadas de decisão com relação às questões de controle. Até porque o número de produtos que a gente utiliza está diminuindo. Por questões de resíduo, o número de intervenções tende a ser pressionado a diminuir” – avalia.

Com a dissertação aprovada e o curso finalizado, o engenheiro agrônomo formado pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) destaca a sua evolução acadêmica durante os dois anos de mestrado profissional: “A gente não tem costume de escrever artigos, principalmente, artigos científicos. A gente trabalha mais com boletins técnicos. É algo bem diferente, mas eu evoluí bastante. E os contatos que a gente acaba fazendo no Mestrado Profissional são muito importantes. Hoje em dia é muita informação, você não consegue dominar tudo, mas você tem que saber onde essa informação está para poder buscar”.